-Me deixa entrar, Beatriz.
-Isa, não quero que me veja assim...
- Quem fez isso com você?
É engraçado como ela parece calma, principalmente quando está com desejos de arrancar as vísceras do primeiro pobre diabo que aparecer na sua frente.
-Não...eu te conheço, conheço esse olhar, Isadora! Foi a sua natureza que fez isso comigo!
Olhou para o chão, para a sandália aberta que usava e deixava as unhas esmaltadas a vista. Tão feminina. Ainda sentia o rosto arder, mas nada que pudesse ser comparado com o rosto da amiga. Quasimodo lifestyle. E a pobre não sabe de nada. Talvez a tenham apanhado por engano.
-Ok, vamos conversar e ver o que podemos fazer, com calma. Tá bom?
Sentadas no sofá, uma de frente para a outra, havia marcas em seu corpo.
-Não me olhe assim, eu estou bem. Não posso ir ao hospital, como vou explicar isso?
-A gente dá um jeito, vou com você e digo que foi atacada na rua. Isso acontece o tempo todo. Mas preciso saber, o que aconteceu depois que nos separamos.
Quando elas chegaram no bar, ficaram surpresas por não estar vazio. Quem diria que aquele portãozinho de ferro mal acabado esconderia um lugar tão interessante? Climinha dark, até parecia aquele pub do filme Rainha dos Condenados. Pessoas misteriosas, discretas, alternativas. Gostaram bastante e se acomodaram em uma mesinha ao canto. Isadora já havia percebido os olhares do garçom para um homem moreno, de cabelo enrolado escuro, impecável no terno azul marinho. Ficou levemente alarmada, mas com o passar dos copos e das risadas, relaxou.
-Lembra daquele cara de terno azul marinho? - Beatriz olhava para o chão.
A certa altura da noite estavam dançando e conversando com dois homens, era pra ser apenas uma noite de diversão sem compromissos. Mas o homem de terno se aproximou, muito sério. Os rapazes simplesmente debandaram. Elas conversaram com ele, beberam uma taça de vinho.
Relembrar. Odeio lembranças. Gosto dela por ser muito prática.
Algumas ligações depois e ela já estava dentro de um táxi. Ágil. Precipitada. Inteligente. Essa menina é tudo isso, mas exacerbo cada uma de suas características boas...e também as destrutivas. A fúria não é perfeita.
A única coisa à sua frente é uma porta. Tomou distância e desferiu um chute com toda a força. Em momento algum pensou nos corpos deixados no caminho. O foco era apenas um. Apenas ele.


























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